terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Briga no céu

Eu não sabia porque 'relampiava', porque do céu, no meio da escuridão vinha tanta luz. Eu tinha uns sete anos. Aquela noite foi a mais feliz de toda a minha vida.
Minha mãe cobriu os espelhos e os eletrodomésticos com um pano. Talvez para ela, o não refletir a luz nos traria paz naquela noite de chuva.
Todos em uma cama. Eu, meu irmão, minha mãe e meu pai. Crinaças descobrindo porque o céu faz barulho enquanto a água cai. Por isso gosto tanto de chuva.
Enquanto eu me tremia de medo, o calor os braços da família me trouxe aconchego. O verdadeiro aconchego, nunca mais esqueci.
Em noites como essa, me traz a liberdade de ser criança, inocente, aprendendo os mistérios do céu. Para mim, a nuvem brigava com a terra e cada gota era a lágrima da dor.
Coisa de quem pensa muito.Nem tudo é o que parece!
Essa noite, escutando trovões e com o quarto iluminado, vou dormir.
Resgato agora, a menina.

Um comentário:

Marcela disse...

Ai, deu saudade em mim tb, de nas noites de tempestade ter o aconchego da família e das estórias que são contadas. "São Pedro está arrastando os móveis e lavando a casa." Era o que a minha mãe me falava sobre os trovões e a chuva torrencial. Eu não acreditava muito, mas ficar imaginando a tal cena era uma distração prá não ter medo. Adoro os seus textos, Jana! Beijos, amiga!